8 de junho de 2009

Memórias

As memórias do livro - Geraldine Brooks, Ediouro, 2008, 384 págs.

Na Bósnia arrasada por anos de guerra civil, um raro manuscrito judeu medieval reaparece. É a lendária Hagadá de Saravejo, um volume único, que contrariava as restrições judaicas da época em relação às ilustrações. Um livro com uma história cercada de enigmas. Como esse manuscrito foi feito, apesar das restrições rabínicas? E como sobreviveu a séculos de anti-semitismo na Europa? Para desvendar esses mistérios, Geraldine Brooks apresenta aos leitores Hanna Heath, a restauradora australiana para analisar e recuperar o manuscrito.

Geraldine Brooks escreveu esse livro baseado em alguns fatos e personagens reais, porém acrescentou uma rica ficção que nos transporta pela história, pelos conflitos religiosos que se arrastam por séculos.

A escritora deixa bem claro no pósfacio o que é realidade e o que é ficção, porém a leitura é de muito empolgante. A restauradora Hanna descobre a cada página uma suposta pista da trajetória do manuscrito.
Cada pista rende a verdadeira história daquilo encontrado.... que está longe do que ela supôs.
Cada nova história é de uma riqueza de detalhes históricos, bem pesquisados pela escritora, que nos transporta para o cenário que ela descreve.
Guerras, escravidão, preconceitos raciais e religiosos, vingança, ódio, morte, doença, mas também esperança, amor e gratidão.

Tenho lido bons livros, cada qual tem um valor diferente.
Esse tem uma leitura inicial que não contagia - foi assim comigo, porém recomendo a quem realmente goste de uma boa história, quem consiga se envolver com cada uma das personagens que surgem a cada nova pista encontrada no manuscrito.

Amor, muito amor em nossas vidas!

P.S.: A borboleta em alto relevo no alto e a direita, na capa, não influenciou em nada no meu interesse pelo livro... rs

7 de junho de 2009

Ausência

O blog está um pouco abandonado.
Não apareceu ninguém para tirar a poeira e ela se amontoou pelos cantos e vãos.

Senti falta de andar por aqui, mas algumas interferências cotidianas me deixaram fora por uns dias.
Desde uma conexão com vida e vontade próprias - diferentes das minhas necessidades. Até uma exaustão psicológica que fazem as boas idéias sumirem por um tempo.
Até a leitura ficou devagar, um livro ótimo que deveria ter sido devorado, foi sutilmente degustado, algumas vezes teve as páginas relidas tamanha falta de atenção aos fatos descritos.
Nem o frio (que eu amo) e que me enche de entusiasmo me trouxe para esses lados.

Maio se foi e junho já vem de vento em popa.

Quem sabe os bons ventos não tragam a energia necessária de volta?
E se isso não funcionar, uma boa réstia de alho deve espantar algum sugador de plantão (eles sempre estão atentos à nossa distração).

Se alguém souber de alguma outra receitinha, por favor, não se acanhe!

Abraço afetuoso!

28 de maio de 2009

Verdes pastagens

Travavam um diálogo cheio de desentendimentos verbais.
Em dado momento uma das partes começou a relatar seu momento pesado e cheio de complicações.
A outra parte analisando a gravidade de tal situação, reflete que o momento exige algo a ser dito, eis o diálogo:

- Posso lhe dizer algo?
- Pode.
- Queria lhe dizer que foi um imenso prazer lhe conhecer, você é uma pessoa maravilhosa!
- Porque está me dizendo isso???
- Porque sua história está parecendo caso de máfia, caso alguém resolva lhe apagar, não quero ficar com o arrependimento de não ter-lhe dito isso!
-Fdp! Parece mesmo. Mas me diz quem morre primeiro: eu ou você?
- Provável você...
- Fdp! Por que?
- Porque eu tenho muito o que pastar ainda... não vai ser tão simples assim (...).

(O diálogo continuou, porém o que importa é até esse ponto).

Não sei qual é o departamento responsável pela análise disso, desconfio inclusive que deva ser um bem abarrotado de processos, um sistema antiquado, sem catalogação com fácil acesso.
Mas que deve existir um, isso é quase certo!

Você nasce e passa a vida sem entender porque algumas coisas sempre lhe acontecem, que sua vida é um eterno ciclo de recomeços e apesar de tentar levar tudo com a maior tranquilidade, os tumultos sempre lhe acompanham.
Óbvio que algum sábio-sabido de plantão sempre tenta lhe dar uma explicação razoável que muda de ótica conforme a crença do cidadão:
- Está pagando o pecado dos seus pais - deve ter sido porque eles lhe fizeram em um momento de prazer, vai saber?!
- Deve ser algo que você fez e colhe o retorno - planta-se sementes de tomates e nascem pimentas e a culpa é sua? Cadê o controle de qualidade?
- É a lei do retorno - espera aí, qualquer um sabe que ao jogar a bolinha contra a parede ela retorna, isso é física pura!
E continua...

Mas eu ainda acho que o departamento que verifica qual é o tamanho do seu pasto, continua burocraticamente lotado de serviço e você continua pastando mesmo que sua barriga esteja cheia de forragem...

Só pode ser isso, não tem outra explicação!

Então, enquanto lhe esquecem aqui pastando, aproveite a paisagem, porque o campo ainda está verdinho e o céu azul de dia e a noite estrelada.

Vai ver é a sua compensação, já que muita gente não pasta, mas também não tem essa oportunidade de estar perto da natureza...

Linda sexta a você e um abraço bem apertado!


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23 de maio de 2009

Saudades!



Olha só!
Bateu-me uma enorme e gigantesca saudade de uma pessoa que não lerá isso.
Já que é assim posso escrever:

Estou com saudades de você!
E se você e eu não fossemos os dois cabeçudos que somos poderíamos estar conversando amigavelmente nesse momento.
Mas eu sou cabeçuda demais e você não deixa por baixo!
Daí quem sabe no próximo século, com mais evolução mental, física e espiritual a gente consegue ser civilizado e amigável, não?
Porque agora, hoje, só me resta me recolher em meu mundinho e lembrar de algo bom seu...
Que pena, não?
Um desperdício mesmo.
Guardo-lhe no lugar que lhe reservei no coração... para sempre!

Pensando em você...

Beijos

22 de maio de 2009

Cotonetes®

E lá se foi mais uma semana, lá se vai Maio...
Algumas polvorosas na semana me deixaram um pouco fora do blog, nem acesso, nem texto, nada...
Quase passou em branco, mas o Neruda veio dar uma aliviada, ufa!

Bem, hoje é sexta (ainda resta um pouco dela) e ouvi uma palestra, preleção, seja lá qual nome que daria, mas me lembrou algo que vive martelando minha cabeça por séculos (ou você acha que 43 anos são suficientes para tudo?!):
Julgamentos...

Não foi nada na faculdade de direito, nem nenhum magistrado, nada de justiça (a cega).

Falo dos julgamentos diários: de como é fácil julgar o outro, a atitude alheia, a vida que não nos diz respeito, a fofoca e etc.

Descobri que cada dia que passa eu quero me manter mais longe do diz-que-me-diz alheio.
Não me sinto nada confortável quando vêm me contar um caso novo, uma escapada, um par novo de ornamentos, o mico, a nova...
Tanto que depois de escutar (quando não consigo escapar), embrulho bem embrulhadinho e jogo na primeira lata de lixo - nada de coletor reciclável, porque esse deve ir direto sem possibilidade de escolha ou de aproveitamento.
Mas nesse caso não sou eu que faço o julgamento, não julgo quem gosta da fofoca ou de quem conta, mas da forma como distorcem fatos e difamam a desgraça alheia.
Porque fofoca nada mais é que isso...

Ninguém conta a gracinha , o agrado e o carinho que o outro fez... Isso não dá assunto!

Pois é, a palestra falava sobre isso, de como é fácil analisar o outro, mas na hora de analisar-se... Ah! Como é complicado olhar para seu próprio umbigo e ver que tem sujeira ali!

Daí pensei na última que me contaram... com um entusiasmo e difamação incríveis dignos de um roteiro sórdido de maldade.
Mas se eu fizer qualquer comentário estarei me colocando no mesmo papel, por isso só posso dizer o seguinte:

Quer uma dúzia de Cotonetes® ?
Eu dou! Com um sabonete e água morninha limpa toda a sujeirinha que se acumula aí!
Depois a gente conversa algo bem agradável, sobre o prazer de viver e o encanto nas coisas diárias, sobre a sorte de ter um bom trabalho, de conviver com pessoas, de ser útil e ajudar outras pessoas.
Eu sento e lhe escuto por horas, mas me conte da sua vida que eu conto da minha!
Aposto que teremos ótimas experiências para trocar!
Topas?

Beijos afetuosos - para quem tem tempo somente de olhar seu próprio umbigo.

Bom final de semana!

19 de maio de 2009

Pablo Neruda


Passeando pela net, passei pelo blog da Denise Fiuza e fui atrás desse poema de Pablo Neruda, que faz parte de Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada. É o # 14.

Aproveite e quando a primavera voltar, seja a cerejeira...

beijos afetuosos

Brincas todos os dias com a luz do Universo.
Sutil visitadora, chegas na flor e na água.
És mais do que a pequena cabeça branca que aperto
como um cacho entre as mãos todos os dias.

Com ninguém te pareces desde que eu te amo.
Deixa-me estender-te entre grinaldas amarelas.
Quem escreve o teu nome com letras de fumo
entre as estrelas do sul?
Ah, deixa-me lembrar como eras então,
quando ainda não existias.

Subitamente o vento uiva e bate à minha janela fechada.
O céu é uma rede coalhada de peixes sombrios.
Aqui vêm soprar todos os ventos, todos.
Aqui despe-se a chuva.

Passam fugindo os pássaros.
O vento. O vento.
Eu só posso lutar contra a força dos homens.
O temporal amontoa folhas escuras
e solta todos os barcos que esta noite amarraram ao céu.

Tu estás aqui. Ah tu não foges.
Tu responder-me-ás até ao último grito.
Enrola-te a meu lado como se tivesses medo.
Porém mais que uma vez correu uma sombra estranha
pelos teus olhos.

Agora, agora também pequena, trazes-me madressilva,
e tens até os seios perfumados.
Enquanto o vento triste galopa matando borboletas
eu amo-te, e a minha alegria morde a tua boca de ameixa.

Quanto te haverá doído acostumares-te a mim,
à minha alma selvagem e só,
ao meu nome que todos escorraçam.
Vimos arder tantas vezes a estrela d’alva beijando-nos os olhos
e sobre as nossas cabeças destorcem-se os crepúsculos
em leques rodoiantes.
As minhas palavras choveram sobre ti acariciando-te.
Amei desde há que tempo o teu corpo de nácar moreno.
Creio-te mesmo dona do Universo.
Vou trazer-te das montanhas flores alegres, “copihues”,
avelãs escuras, e cestos silvestres de beijos.

Quero fazer contigo
o que a primavera faz com as cerejeiras.


17 de maio de 2009

10 Km Tribuna FM

(Medalha de participação)

Foi hoje a longa caminhada de 10 km.

Nada foi planejado antecipado, na realidade a participação acabou sendo arrumada essa semana.

A Monica que trabalha no controller resolveu me arrastar para essa empreitada, já que ela também foi. Tratou de arrumar uma inscrição desistida para eu participar.

Tudo combinado e fomos lá!

Estou acostumada a caminhar e 10 km seriam bem fáceis com tanta gente fazendo isso (incentivo?).
Bem, na minha opinião os 5 km iniciais são os mais difíceis e os últimos os melhores.
Não porque está perto do final, mas no começo está todo mundo muito proximo e depois vai espaçando.
Óbvio que quando chegamos aos 5 km, já tinha corredor cruzando a chegada...

Mas foi realmente muito bom!
Nesse momento apenas os pés estão doloridos, nada que uma boa noite de sono não resolva.

Em outubro tem 8 km AT no Guarujá e estaremos lá!

Como é uma prova feminina, convido as meninas que queiram participar, vamos?

Beijos a todos e ótima semana que se inicia!


Divã




















Divã - Martha Medeiros - 2002, Editora Objetiva, 154 págs.

Depois de assistir o filme, andei namorando o livro, coloquei inclusive na lista de novas aquisições, porém como a conta da livraria anda alta, teria que esperar um pouco...

Minha amiga Marcelle sabendo que eu estava de olho no livro, presenteou-me no final de abril com um exemplar.

Peguei para ler no inicio da semana - andei meio lenta para leitura esses dias.

E terminei hoje, com várias páginas marcadas, trechos sublinhados, orelhas dobradas e marcadores indicativos.

Bem, se eu tivesse lido primeiro o livro, acharia que o filme não fez jus, mas como foi o contrário, continuo adorando o filme e amando o livro.
Existem textos muito fieis ao livro, com frases idênticas, realmente ele foi baseado no livro, mas ele continua sendo melhor.

Sempre adorei um texto da Martha Medeiros e foi em Divã que o encontrei, por isso vou citar aqui:

(...) "Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos, um filme mais ou menos , um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo.
O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia(...)" - pág. 51

Livro adorável. Recomendo!

Beijos matinais com aroma mentolado (de pasta de dentes... rs).